Qual a importância da comunicação no Urbanismo Social? Um bate-papo com o Instituto Rainhas do Mar (BA).

O mês de abril concentra duas datas importantes na luta pelo direito à comunicação, são elas o Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril, e o Dia Internacional da Imprensa, no dia 13 de abril. A comunicação, de modo geral, é algo central em nossas vidas, cada vez mais conectadas e dependentes de plataformas digitais, em especial das redes sociais, que nos posicionam, de modo geral, enquanto comunicadores/as, independentemente do tamanho do público.

A comunicação, portanto, tem feito cada vez mais parte de nossas vidas enquanto sociedade e servido para nos mobilizarmos em torno de pautas caras às nossas vidas. Durante o mês de abril, tentamos aproximar a temática do direito à comunicação aos temas que compõem as lutas do Fórum Nacional de Reforma Urbana. Nossa intenção é trazer diferentes perspectivas que nos façam refletir sobre qual é, então, a importância da comunicação na luta pelo direito à cidade? Ou no direito ao território? Ou no direito à moradia? Ou no Urbanismo Social? Aliás, o que podemos chamar de Urbanismo Social e como ele pode ser impactado por ações de comunicação?

Conversamos com o Instituto Rainhas do Mar, nascido em 1996, em Acupe, uma comunidade quilombola e pesqueira localizada no município de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano. O Instituto, originalmente, estava envolvido apenas com a elaboração de ciclos de economia comunitária. Com o passar do tempo, a defesa e a proteção do território foram agregadas às pautas do Instituto que, segundo Joelma Ferreira, cofundadora e Diretora Executiva, assumiu como missão “contribuir com o desenvolvimento da autonomia, justiça social e garantia de direitos de povos quilombolas e comunidades pesqueiras. Articulando as dimensões de meio ambiente, educação e economia, reconhecendo os saberes comunitários e científico”. 

Lançamento da cartilha. Fonte: Instagram.

Através do Urbanismo Social, o Instituto preza pela construção de “lugares com significado comunicando que a vida que habita no território importa”. Para o Rainhas do Mar, a comunicação é uma ferramenta fundamental para a disputa de narrativas sobre os processos e sobre a realidade, tem servido para divulgar as ações, os materiais informativos que tratam da realidade daquela comunidade e, sobretudo, como um veículo através do quais “os nossos podem se ver, se ouvir e se reconhecer”. A comunicação, no Instituto, tem uma função informativa e educativa. A proposta é tornar acessível informações que são tidas como fundamentais: sobre os direitos da população, da comunidade, sobre o território. O trabalho mais recente foi o lançamento da cartilha “Água porque te quero: a qualidade da água das cisternas de Acupe”.  A cartilha é o primeiro registro científico divulgado à população sobre a qualidade da água das cisternas públicas comunitárias de Acupe e foi lançada presencialmente na própria comunidade e será veiculada virtualmente nas redes sociais do Instituto.

Joelma reforça que o material “é um instrumento político-pedagógico que precisava ser escrito e distribuído gratuitamente tanto na comunidade, quanto na rede pública de ensino, por abordar o elemento importante para sobrevivência, manutenção dos afazeres da vida e dos saberes da comunidade tradicional”. O fundamental é democratizar o acesso à informação sobre algo tão essencial à vida como é a água.

Exemplares da cartilha. Fonte: Instagram

Ainda, Joelma ressalta a importância de uma comunicação popular através de uma questão central, “e, se os meios de comunicação, os mais acessíveis e populares fossem nossos e gestados por nós, pessoas negras? Haveria algum direito não publicizado?”.

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