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Qual a importância da comunicação no direito à cidade? Um bate-papo com o Coletivo Força Tururu (PE).

O mês de abril concentra duas datas importantes na luta pelo direito à comunicação, são elas o Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril, e o Dia Internacional da Imprensa, no dia 13 de abril. A comunicação, de modo geral, é algo central em nossas vidas, cada vez mais conectadas e dependentes de plataformas digitais, em especial das redes sociais, que nos posicionam, de modo geral, enquanto comunicadores/as, independentemente do tamanho do público.

A comunicação, portanto, tem feito cada vez mais parte de nossas vidas enquanto sociedade e servido para nos mobilizarmos em torno de pautas caras às nossas vidas. Durante o mês de abril, queremos aproximar a temática do direito à comunicação aos temas que compõem as lutas do Fórum Nacional de Reforma Urbana. Nossa intenção é trazer diferentes perspectivas que nos façam refletir sobre qual é, então, a importância da comunicação na luta pelo direito à cidade? Ou no direito ao território? Ou no direito à moradia?

Conversamos com o Coletivo Força Tururu, nascido em 2008, na comunidade do Tururu, localizada no bairro do Janga, no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, estado de Pernambuco. O Coletivo não carrega o território de origem apenas no nome, mas a luta contra a estigmatização do Tururu foi um dos motores de sua criação. Os três jovens que criaram o coletivo se reuniram para desenvolver um trabalho focado em comunicação popular e comunitária para, justamente, poder se contrapor à imagem construída pela grande mídia, que muitas vezes retrata a comunidade de maneira preconceituosa e marginalizante, focando apenas nos índices de criminalidade e violência da região. O primeiro trabalho foi a produção do documentário “Tururu: justiça, paz e vida”, que buscou representar a potencialidade do local e de sua população. Hoje, o Coletivo é formado por 10 integrantes.

O Coletivo trabalha com três eixos que constroem suas ações sistemáticas: comunicação, formação e incidência. As ações são sistemáticas porque não acontecem pontualmente, passam por uma elaboração de estratégia de enfrentamento dos problemas, em que  são definidos objetivos que buscam resultados, conectando esses três eixos.  Segundo André Fidélis, integrante do Coletivo, o grupo entende que “sem a comunicação é difícil se mover no sentido de tentar mudar as coisas que incomodam”. Reconhecendo a importância de alcançar o maior número de pessoas possível, para visibilizar e sensibilizar, o Coletivo atua na comunicação em duas frentes: online e offline. Produzindo diversos conteúdos para suas redes sociais, mas também apostando em cartazes, panfletos informativos, adesivos, outdoors etc.

Fonte: Facebook do Coletivo Força Tururu

André ressalta que diante das dificuldades apresentadas pela precarização das cidades, ainda existem “muitas pessoas, instituições, coletivos, movimentos que estão fazendo coisas espetaculares e necessárias; enfrentando desmandos dos governos, denunciando crimes ambientais, impedindo avanços de interesses de pequenos grupos que prejudicam a população”. Para ele, essas pessoas, que têm se mobilizado para enfrentar essas problemáticas precisam ter suas trajetórias reconhecidas “pois são as lutas destas pessoas que tem construído um mínimo de ‘ar para respirar’ nas cidades”. Como reforça o Coletivo Força Tururu, se inspirar e conhecer essas histórias só é possível através da comunicação popular, comunitária e independente.

O Coletivo Força Tururu foi uma das iniciativas contempladas pelo Edital 01/2023 do Fórum Nacional de Reforma Urbana, voltado para Ações de Sensibilização e Mobilização Social em relação ao direito à cidade e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs).

Conheça mais do trabalho do Coletivo e apoie seu trabalho aqui.